Como em qualquer processo em que o “novo” apresente-se é comum que as pessoas mostrem certa resistência e no e-learning, ensino à distância, isso não é diferente. Apesar de algumas organizações ainda dizerem “não” ao processo, cada vez mais empresas apostam nessa ferramenta de aprendizagem, pois o e-learning pode trazer benefícios significativos às organizações, que vão dos profissionais aos sociais. De acordo com Alex Augusto, CEO da Ciatech – empresa especializada na área, o ensino à distância não deixa de ser uma iniciativa de inclusão e democratização da informação nas corporações. “Nos últimos dois anos tivemos um crescimento do e-learning nas organizações na ordem de 40% ao ano. A expectativa é que este número mantenha-se”, afirma. Em entrevista ao RH.com.br, Alex Augusto destaca quais as principais dificuldades que as organizações enfrentam ao implantarem o e-learning e, ainda, menciona que o melhor caminho para as organizações adotarem o ensino à distância é buscar apoio na experiência de quem já passou pela implantação. Confira a entrevista na íntegra, pois esse assunto certamente estará no futuro da sua empresa. Boa leitura!
RH.com.br – Como se encontra a disseminação do e-learning no Brasil?
Alex Augusto – O e-learning no Brasil está amadurecendo a passos largos. No mercado corporativo, cada vez mais as empresas estão incorporando uma solução de e-learning a seus projetos de educação corporativa. No mundo acadêmico, o Ministério da Educação e Cultura – MEC – tem apoiado ações neste sentido. De acordo com os dados de 2006, um em cada 80 brasileiros já realizou um curso à distância credenciado ou corporativo.
RH – O recurso de ensino à distância é uma tendência a ser adotada por quais segmentos organizacionais?
Alex Augusto – Na verdade não existe um segmento específico, mas sim algumas características do negócio de qualquer segmento que viabilizam e justificam uma solução do e-learning. A informação é hoje em dia um ativo para as empresas. Manter os colaboradores atualizados, capacitados e informados faz diferença no resultado final. Agora, imagine que essas informações são geradas a todo o momento – produtos, serviços, campanhas, promoções, entre outras, e que seus colaboradores estão espalhados geograficamente. Que outra modalidade poderia atender a esta necessidade de espalhar a informação e garantir, medir o entendimento senão uma solução profissional de e-learning?
RH – No Brasil, ainda se adota a postura de mistificar o processo de e-learning?
Alex Augusto – No mercado sentimos a cada dia que muitas empresas já estão maduras com relação ao processo. É claro que a experiência diária traz melhorias, porém costumo dizer que estas empresas já estão na segunda geração do e-learning no Brasil, com profissionais que sabem demandar e avaliar seus fornecedores. É claro que esse não é o cenário geral, pois muitas empresas ainda esbarram no velho paradigma que “este modelo não funciona para o meu negócio”, mas acredito que a necessidade, a confiança nos seus fornecedores e parceiros e, principalmente, o mercado irão contribuir para que estes paradigmas venham por terra.
RH – Quais as dificuldades mais comuns que as organizações deparam-se ao implantarem o e-learning?
Alex Augusto – Existem várias dificuldades iniciais e muitas delas podem acompanhar o projeto até que o processo esteja maduro na organização. Posso citar alguns casos mais comuns como, por exemplo: necessidade de parceria inicial com a área de Tecnologia da Informação para garantir que não existam problemas de infra-parceria com as áreas que demandam os cursos; fazer com que o e-learning seja estratégico e não apenas algo que “precisamos fazer porque todos estão fazendo”; conseguir o apoio da direção, pois o projeto precisa de um sponsor, um padrinho; conseguir parceiros e fornecedores comprometidos com as suas necessidades; campanhas que motivem a adesão dos usuários e “venda” positivamente o e-learning para todos os envolvidos, garantir um mínimo de estrutura, ou seja, ter um profissional que cuide do e-learning. O que vejo muito são empresas onde alguém da área de RH que já cuida de seleção, cargos, salários, entre, e agora também do e-learning. Por fim, destacaria a dificuldade geral em medir retorno imediato.
RH – O e-learning é um processo complexo como algumas organizações imaginam?
Alex Augusto – Qualquer tema novo em uma corporação, quando não planejado e alicerçado em bases sólidas, pode tornar-se complexo e problemático, e com o e-learning não é diferente. Quando iniciamos um projeto com um novo cliente, via de regra, sugerimos um projeto-piloto para que possamos validar tudo que planejamos e ajustar o que for necessário. O processo de implantação envolve sim muitos assuntos, alguns técnicos, outros de conteúdo, adesão, políticas e, por isso, é fundamental que as empresas estejam apoiadas em fornecedores com experiência e estrutura para atendê-los. Nosso papel, por exemplo, é consultivo, orientamos e damos exemplos que ajudam nossos clientes a se posicionar inicialmente. É muito comum que os profissionais não conheçam todo o processo de implantação e com o que devem preocupar-se para minimizar os riscos. Para tornar esta implantação mais simples, o melhor caminho é apoiar-se na experiência de quem já passou por uma implantação. Portanto, fale com outras empresas, visite, questione e assim você terá mais informações para criar um projeto mais sólido.
RH – Quais os benefícios efetivos que o ensino à distância proporciona às organizações?
Alex Augusto – O ensino à distância mediado pela tecnologia, o e-learning, pode trazer grandes benefícios às organizações, que vão dos profissionais aos sociais, pois não deixam de ser projetos de inclusão e democratização da informação nas corporações. Se a informação é estratégica na organização, se manter seus colaboradores capacitados e motivados é estratégico na organização, se investir nos recursos humanos é estratégico na organização, e nós sabemos que é, então, o e-learning também é estratégico.
RH – Se comparado a alguns processos de ensino tradicionais, o e-learning é um investimento que realmente vale a pena?
Alex Augusto – Além de disseminar as informações sem restrições de tempo e espaço, o e-learning torna as informações um ativo da empresa, uma vez que o investimento inicial em um curso nesta modalidade, por exemplo, pode ser diluído por um número muito grande de usuários ou colaborar com a Gestão do Conhecimento no caso de operações com grande rotatividade. Agora, o mais importante é saber que o e-learning não deve ser encarado como substituto dos processos tradicionais. Momentos presenciais são importantes, valiosos e continuarão a existir. Porém, eles podem ser ainda melhor aproveitados se conjugados a um processo de e-learning como pré-requisitos, por exemplo. Já vivenciei projetos onde o e-learningcontribuiu para aumentar a quantidade de turmas presenciais. Com o treinamento blended os cursos presenciais diminuíram sua carga horária e conseqüentemente seu custo e novas turmas foram criadas. Isso é aproveitar o e-learning para realmente agregar valor ao projeto de educação corporativa.
RH – Que valores a educação à distância pode agregar à Gestão de Pessoas?
Alex Augusto – Em uma pesquisa recente sobre os motivos internos que motivavam os gestores a implantarem soluções de e-learning em suas empresas dois itens chamaram a atenção, pois estavam presentes em todas as respostas: retenção de talentos e motivação. Proporcionar ferramentas que efetivamente colaboram e agregam valor ao desempenho profissional faz com que os colaboradores sintam-se motivados a investir em suas carreiras nas organizações.
RH – O desenvolvimento profissional, através do e-learning, pode ser atrelado a um plano de carreiras?
Alex Augusto – Sim. Cada vez mais somos protagonistas do nosso desenvolvimento e o e-learning proporciona isso. Participamos de projetos dentro de algumas organizações onde o profissional pode acompanhar a grade de treinamentos on-line para seu cargo e cruzá-la com os demais cargos de sua diretoria e a partir dessas informações utilizar o e-learning para se preparar para uma futura progressão na carreira.
RH – Quais as suas expectativas para a área nos próximos anos?
Alex Augusto – Nos últimos dois anos tivemos um crescimento do e-learning nas organizações na ordem de 40% ao ano. A expectativa é que este número mantenha-se uma vez que novas empresas estão aderindo à modalidade e, principalmente, porque aquelas que já aderiram e estão tendo sucesso tendem a aumentar a porcentagem do budget para o e-learning, aumentar as participações e conseguir mais abrangência para seus projetos. No campo das tendências, também estamos iniciando projetos-piloto com o mobile learning que utiliza os celulares, smart phones, para distribuir os conteúdos. Esta solução tem chamado a atenção das empresas que possuem equipes de vendas, remotas que já utilizam o PDA ou smart phone para acessar agenda,e-mail, pedidos e agora podem também receber informações. Chamamos de pílulas do conhecimento, ou seja, pequenos cursos, interativos com no máximo 15 minutos de duração – adequados à mídia.